Mães Paralelas – Crítica

 

No seu mais recente trabalho, Pedro Almodóvar tenta reconciliar dois tópicos aparentemente irreconciliáveis. E conseguiu fazê-lo da forma que só ele, e unicamente ele, pode. No seu núcleo, as Mães Paralelas de Almodóvar conta a narrativa de Janis e Ana, duas mães que se encontram pela primeira vez e se tornam amigas numa unidade de maternidade. Os seus destinos, porém, tornam-se de repente mais firmemente ligados assim que dão à luz. Ainda por cima, Janis está a lutar com a descoberta de uma vala incomum na sua cidade natal, onde o seu bisavô foi alegadamente enterrado ao lado de outros homens locais durante a ocupação da Segunda Guerra Mundial.

 

E, apesar de os dois tópicos parecerem irreconciliáveis à primeira vista, o realizador e o argumentista geram um clímax poético que carrega uma história bem confinada sobre a maternidade e a família. Como resultado, o enredo avança a um ritmo razoável, e o espectador nunca se aborrece. Isto apesar do facto de haver inúmeros momentos aparentemente aborrecidos que retratam não só o nascimento de uma criança, mas também episódios da vida quotidiana. Almodóvar,, no entanto, apresenta-os com a sua própria nuance, elevando o elemento comum a algo notável e cativando assim a atenção do público.

 

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Por outro lado, há muitos clichés na história. O principal é, na verdade, a reviravolta fulcral de toda a narrativa, que o público consegue adivinhar a quilómetros de distância. Mas isso não importa. A previsibilidade de Almodóvar de certa forma que se enraizou neste filme. Ele não tenta esconder o seu enredo com algo inesperado ou original; em vez disso, ele dá ao público exactamente aquilo que eles esperariam de uma história como esta. Não é surpreendente, mas também não é ofensivo. O aspecto mais importante é que ele conclui com uma linha de ação coesa e surpreendente à qual todas as ramificações e linhas de enredo aparentemente sem relação se associam.

 

A estrela do espectáculo é Janis, interpretada por Penélope Cruz. A sua performance é empoderada e cheia de emoção, mas não há dúvida de que ela é o membro elenco mais apelativo. Em suma, os momentos de atuação de Cruz estão cheios de detalhes subtis e nuances únicas que formam o núcleo de todo o espectáculo. Milena Smit como Ana é também brilha como personagem secundária. A atriz fez um bom trabalho e complementou muito bem Cruz. Ela e Cruz formaram uma equipa com uma química inegável no ecrã. Além disso, há Rossy de Palma e Aitana Sanchez-Gijon como personagens secundárias que deixam impressões fortes.

 

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O acompanhamento musical de Alberto Iglesias, contudo, complementa tudo o que vemos no ecrã de uma forma pouco natural, quase artificial. Ele criou uma banda sonora para este filme que não se enquadra bem no ritmo, ao ponto de se tornar monótona.

 

Concluindo, “Mães Paralelas” é um filme chocante e bem feito que agradará aos fãs de Almodóvar. Embora contenha alguns clichés aqui e ali, e o seu enredo seja algo previsível em alguns aspectos, com um tema um tanto retrógrado, Almodóvar conseguiu apresentá-lo de uma forma original. A sua narrativa nunca se torna aborrecida, fornecendo uma poderosa história. Ele completa a história com um final impactante, no qual tudo está bem delineado.

 

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7/10 – Escrito e Avaliado por Ricardo Oliveira

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