Last Christmas – Crítica

 

Last Christmas, um filme de Paul Feig e baseado na música de George Michael, foi lançado nas salas de cinema mundiais em 2019, com uma receção relativamente mista (tendencialmente negativa), e acho sinceramente uma pena que assim tenha sido, pois esta não é de todo uma horrível experiência cinematográfica. Quer isso dizer que é bom? Não, é simplesmente agradável.

 

A narrativa foca-se em Kate, uma empregada de uma loja natalícia, relativamente descontente com a sua vida, sem rumo ou sentido. Kate atrasa-se constantemente para o trabalho, todas as suas decisões são más, cada vez mais se afasta da sua família de emigrantes (que vêm da Jugoslávia) e é vítima de um problema cardíaco ao qual não liga, refugiando-se num estilo de vida completamente irresponsável. Do nada, o jovem Tom aparece na vida de Kate, procurando guiá-la novamente por um caminho repleto de bondade e responsabilidade, e Kate encontra-se, lentamente, a entregar-lhe o seu coração.

 

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Quem viu o trailer deste filme antes de entrar numa sala de cinema, infelizmente, já se deparou com uma grande pista sobre a reviravolta do mesmo. Obviamente que, quando vemos demasiado de um filme na sua publicidade, arruína qualquer surpresa ou interesse que o filme podia ter não fosse essa campanha mal-organizada. Obviamente que muitos sentiram o efeito desta horrível publicidade, dado que se mostraram pouco impressionados com o produto final.

 

No entanto, este filme têm um âmago emocional forte, e é notório o quão bem-intencionada é esta pequena comédia romântica, cujo único interesse é presentear a audiência com uma hora bem passada no cinema, com alguns risos à mistura. Penso sinceramente que este filme tem genuínos momento hilariantes, e as interpretações principais de Emilia Clarke e de Henry Golding são excelentes e carinhosas, demonstrando alguma diversão com o projeto por parte dos atores que realmente se importam com o que está a ser produzido.

 

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Mas, obviamente, o filme tem as suas falhas, com momentos patetas típicos deste género de filmes românticos e clichês previsíveis que qualquer um consegue ver a quilómetros de distância. No que toca a personagens, algumas são completamente caricaturas, especialmente Emma Thompson, que, na minha opinião (Thompson também escreveu o guião), perde a oportunidade de contar de uma forma realmente retumbante e impactante a história de uma emigrante numa Inglaterra mergulhada em problemas políticos profundamente preocupantes (Brexit, mais especificamente), mas, em vez disso, apenas toca ao de leve no assunto e interpreta a personagem como um típico estereótipo da Europa de Leste.

 

No seu todo, Last Christmas é mais uma comédia romântica relativamente comum, mas com o coração no sítio certo, não deixando de ser divertida de visualizar e não merecedora da aura negativa que lhe é atribuída. Se procuram um daqueles filmes “quentinhos”, que propiciam uma sensação de bem-estar, há piores escolhas do que esta.

 

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6/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

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