Harley Quinn: Birds of Prey – Crítica

 

Harley Quinn: Birds of Prey é o mais recente esforço da DC entertainment de conquistar o território da banda desenhada adaptada ao cinema, um esforço diferente com uma ideia realmente interessante na sua base. Fazer de Harley Quinn a personagem principal do seu próprio filme após ter brilhado no terrível Suicide Squad faz todo o sentido, livrá-la do controlo abusivo do Joker torna a ideia ainda mais interessante (embora eu seja da opinião de que Joker deveria ter sido o grande vilão deste filme).

 

Algum tempo após os eventos de Suicide Squad, e após ter terminado a sua relação com o Joker, Quinn rebenta com a fábrica onde se entregou à sua antiga paixão, anunciado a Gotham inteiro que já não se encontrava sob a proteção do temido Palhaço do Crime. Claro que ao fazê-lo, Quinn faz de si um alvo a abater, devido a toda a maldade que havia cometido no passado, inspirando o vilão Roman Sionis (interpretado por um excêntrico Ewan McGregor) a persegui-la, isso e um diamante desaparecido faz com que Harley se cruze com o conjunto de mulheres a cujo título do filme se refere.

 

Eu diria que o maior problema de Harley Quinn: Birds of Prey é a conjugação de vários elementos que nem sempre fazem o maior dos sentidos. Há vezes em que o filme parece querer colocar Harley no meio de uma nova equipa tal Suicide Squad, outras em que se preocupa somente em focar-se na mesma, como se estivesse a tentar seguir um enredo em que, no final, se defrontaria com Joker (Sendo que Joker nem sequer faz qualquer tipo de aparência no filme, sendo substituído por Roman Sionis).

 

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Na minha opinião, Harley Quinn: Birds of Prey não sabe realmente o que quer ser, e não posso deixar de sentir que Joker era suposto fazer parte do filme, mas devido ao drama com a receção negativa à interpretação de Jared Leto, este foi excluído completamente do projeto. Contudo, a interpretação de McGregor atribui a Ronan Sionis uma aura de ameaça, de terror, pois ele realmente parece ser perigoso e não deixamos de sentir a sua ferocidade emanada através do ecrã.

 

Posto isto, todas as interpretações são realmente excelentes, Margot Robbie é entusiástica no papel, a sua personagem é altamente memorável e a única no filme que realmente é 100% desenvolvida. Mary Elizabeth Winstead é incrível no papel de Huntress, apesar do pouco material que lhe é dado, e traz um carisma natural à personagem que a torna realmente especial, sem ela esta seria uma personagem facilmente esquecida. Jurnee Smollett-Bell como a Canário é também extremamente convincente, e traz ao papel um magnetismo especial que a deixa como uma das partes mais memoráveis do filme.

 

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Harley Quinn: Birds of Prey, no seu todo, não é um mau filme, apesar de tematicamente confuso, é extremamente divertido e certamente irá arrancar várias gargalhadas da audiência. Novamente, Harley Quinn é também a peça que realmente torna este projeto algo tão único, e vê-la no ecrã é algo que deixará qualquer membro da audiência com um sorriso na cara.

 

É também importante referir que o filme contém sequências de ação incrivelmente bem coreografadas, que se toram um deleite visual à medida que se vão tornando mais loucas. A realização das mesmas é delirante e fogosa, tal como no resto do filme, atribuindo-lhe um estilo muito extravagante e notável.

 

Então, enquanto Harley Quinn: Birds of Prey não é nenhum Mulher Maravilha (2017) e contém uma panóplia de problemas, é também extremamente divertido, um bom bocado passado no cinema sem a obrigação de se pensar nos problemas gerais da vida. Não posso afirmar que amei o filme, mas também não o odiei, é um decente guilty pleasure e uma decente hora passada à frente do grande ecrã.

 

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6/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

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