Fala-me de Um Dia Perfeito – Crítica

 

Fala-me de Um Dia Perfeito é um filme que lida com tópicos pesados, tópicos de difícil abordagem, tópicos como depressão e culpa do sobrevivente (quando alguém sobrevive a um terrível acidente, e decide culpar-se a si mesmo por ter sobrevivido). A abordagem ao tema é feita com extremo cuidado, não embelezando de forma alguma os disturbios que procura demonstrar, tornando claro o quanto prejudicam e corroem as pessoas que os têm, e quem os rodeia.

 

O filme conta a história de Violet Markey, uma jovem que vive atormentada com a morte da sua irmã, uma jovem que não encontra na vida grande sentido e já pouco sente. Mas quando o jovem Theodore Finch entra de rompante na sua vida, Violet começa aos poucos a ver a luz no meio de um mar de trevas, a retirar significado e alegria das pequenas coisas que antes, muito provávelmente, teria ignorado. Mas nem tudo é perfeito, e o próprio Theodore se encontra uma negra fase da sua vida, coseguirão eles salvar-se um ao outro do abismo sem fundo?

 

all-the-bright-places-banner

 

O filme tem um núcleo emocional extremamente forte assente nas personagens principais, que nos envolvem na sua história desde a sua primeira cena. A química entre os atores é excelente, ambos conseguem realmente fazer-nos acreditar na sua relação atribulada, acreditar que precisam realmente um do outro para verem o que de melhor existe no mundo. É realmente impressionante quando damos por nós investidos numa relação fictícia que parece real, e o diálogo pungente juntamente com as interpretações atribuem ao filme uma qualidade que a muitos outros do género falta.

 

No que toca aos temas pesados, o filme explora as tristezas das personagens com extremo cuidado, um cuidado que procura retratar estas doenças como elas são, sem qualquer tipo de embelezamento ou fácil resolução. Diria que a depressão de Violet é a mais é explorada, sendo que os guionistas procuram dar-nos a entender o turbilhão emocional que aflige a nossa personagem principal, numa tentativa de nos fazer entender como alguém pode chegar ao ponto a que Violet chegou. Contudo, no que toca a Theodore (e apesar de os guionistas fazerem um bom trabalho com a sua personagem), não posso deixar de sentir que o seu problema  poderia ter sido explorado mais profundamente, de forma a tornar a resolução da história ainda mais impactante.

 

all-the-bright-places-banner

 

Posto isto, o filme irá decerto atingir qualquer pessoa em cheio na essência das emoções, e as interpretações excelentes à vista no ecrã são as maiores contribuidoras para que o filme surta o seu tão doloroso efeito. Elle Fanning brilha no papel, atribuíndo a Violet um conjunto de camadas emocionais que a tornam tridimensional e completamente real. Justice Smith confere a Theodore um conjunto de expressões corporais e faciais que facilmente trasmitem a dor que leva consigo no interior, interpretando o papel com uma intensidade inesperada. A realização é também ela um deleite, atribuindo ao filme uma aura triste e uma atmosfera bonita, é notório o esforço por trás da câmara.

 

Contudo, o guião não é perfeito, e apesar de lidar extremamente bem com os problemas das personagens principais, não deixa de arrastar a história a meio do filme, sem desenvolver o potencial completo de Theodore e terminando um pouco abruptamente a sua história. Mas ainda assim, o que nos é apresentado é envolvente e extremamente bonito.

 

No seu todo, Fala-me de Um Dia Perfeito é uma bela história de tristeza com um toque real de amor, uma história sobre duas almas perdidas que tentam tudo para encontrar algo que os permita continuar. O filme retrata tudo com extremo cuidado e é claramente um labor que vem do coração. Para todos os românticos, para todos os que precisam de uma boa hora a verter lágrimas e para aqueles que apreciam um bom filme, este é uma boa escolha.

 

rating-7-10

7/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

Deixe uma resposta