Eternals – Crítica

 

Eternals“, da Marvel é o novo filme do franchise que continua a crescer e se expandir exponencialmente. Contudo, e ao contrário de todos os outros filmes que constituem a saga, este novo esforço do estúdio é esteticamente diversificado, único e completamente inventivo…para melhor e pior. Realizado por Chloé Zhao, há uma certa sensibilidade que é transportada para o universo Marvel, e com ela uma tentativa de esculpir um novo tipo de história, um pouco mais maduro e repleto de reflexões existenciais.

 

O filme conta a história dos primeiros seres que foram enviados para a terra: Os Eternos, que fazem parte de uma raça modificada geneticamente pelos deuses espaciais conhecidos como Celestiais. Dotados de características como imortalidade e manipulação de energia cósmica, eles têm como objetivo lutar os Desviantes, que são os seus principais inimigos.

 

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O filme é realmente visualmente encantador, com um uso fantástico de luz natural para aperfeiçoar cada uma das maravilhoso interação das suas personagens. Chloé Zhao consegue quase que criar intensas pinturas cénicas, melhoradas pelos efeitos especiais fantásticos que ajudam a trazer às vida os poderes de cada um dos eternos. Os atores são eles também incríveis, trazendo sensibilidades às suas personagens e fazendo com que brilhem com intenso carisma.

 

Contudo, o filme é realmente algo diferente, uma tentativa a construir algo mais cerebral e adulto, algo que se desprenda dos usuais clichês dos filmes dos heróis. Mas nem sempre esta nova tentativa funciona. O guião tem a tarefa de introduzir todo um conjunto de personagens e conceitos que nunca antes havia sido sequer mencionado no universo Marvel, mas fá-lo de uma maneira confusa e algo expositora, de uma forma que deixará muitos fãs casuais dos filmes completamente perdidos.

 

O próprio filme acaba por ter uma natureza baseada na dualidade, dado que acaba por ser longo demais e curto demais ao mesmo tempo. Passo a explicar: dada a complexidade das personagens, algumas delas acabam por ser canceladas por outras, sendo que ficam com muito espaço para desenvolvimento, e talvez devessem ter sido introduzidas mais cedo no universo Marvel, sendo que talvez necessitassem do número de horas que uma série de televisão poderia oferecer ao invés de um filme. Numa outra perspectiva, o filme consegue parecer longo demais, com cenas que arrastam, algo desnecessárias e que arrastam o filme, principalmente na sua metade. As cenas de ação, apesar de excitantes e visualmente cativantes, são poucas e estão espalhadas de uma forma que ajuda o filme a parecer mais longo do que o que realmente é.

 

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Os atores que mais brilham são sem dúvida Angelina Jolie, numa performance contida, Richard Madden e Kumail Nanjiani brilham também nos respectivos papéis, sendo que Nanjiani traz alguns dos momentos mais engraçados no filme inteiro! A banda sonora, por Ramon Djawadi, que acompanha a história é também simplesmente fantástica, com um tema que eleva estes heróis enquanto eles salvam o mundo.

 

No seu todo, o filme é um esforço aplaudível para tentar apimentar os filmes Marvel que seguem sempre a mesma fórmula, mas é também um esforço com falhas, imperfeito e com espaço para melhorias. Penso que Kevin Feige irá aprender com o que se encontra errado neste filme e aprimorá-lo, continuando a investir em histórias diferenciadas para o futuro e que naveguem por águas realmente desconhecidas.

 

É eternos um mau filme? Não, de todo. É visualmente cativante, surpreendente e divertido em partes, apesar de sofrer de uma tonalidade algo apressada demais e lenta demais, com momentos confusos e algo complicados. Vale bem a pena dar uma espreitadela no grande ecrã para que possam também vocês formar as vossas próprias opiniões!

 

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6.5/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

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