Diamante Bruto – Crítica

 

Diamante Bruto é o seguimento dos realizadores Josh e Benny Safdie a Good time (2017), um seguimento realmente incrível, que permite a Adam Sandler brilhar e que deixará qualquer um surpreendido. Este é o filme que nos entregou uma das melhores interpretações de 2019, e é realmente uma pena entender que foi completamente injustiçado ao não ter sido nomeado para um óscar.

 

O filme retrata a história de Howard Ratner, um joalheiro com uma enorme dívida, provocada pelo seu vício do jogo. De forma a pagar as suas dívidas, Howard tenta ganhar o dinheiro necessário através de apostas cada vez mais arriscadas, com a esperança de conseguir pagar aquilo que deve e emendar certas relações. Todos os que lidam com Howard, contudo, olham para o seu comportamento errático com desdém, ignorando as suas fantasias e o seu vício tão profundo. No centro dos seus problemas está, como o título indica, um diamante em bruto.

 

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A opala preta a que o título se refere, induz em Howard um agravamento da sua febre do ouro, e o filme procura puxar-nos para o interior da mente confusa do mesmo. Durante as 2h e 15 minutos do filme, podemos observar Howard a fazer más decisões atrás de más decisões, baseadas em ganância e na necessidade de sentir a adrenalina do jogo. As más decisões da personagem fazem dele uma espécie de renegado, seja pela mulher, filhos ou as pessoas a quem deve alguma coisa.

 

O filme procura realmente mostrar o que é ser viciado no jogo, todo o stress que estimula as emoções mais fortes associadas à atividade, todos os nervos que parecem ativos ao mesmo tempo, bombeando impetuosidade pelas veias daqueles que o jogam. A própria cidade de Nova Iorque, no filme, parece demasiado energética, suja e desordenada, como que a espelhar o tumulto interior da personagem principal. Não há um momento no filme em que, apesar de ocasionalmente mergulhar em cenas potencialmente cómicas, a tensão se quebre, com um constante desconforto à volta dos intervenientes da história e da própria audiência.

 

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O guião é impressionante, e a performance de Sandler é de louvar, fazendo-nos sentir preocupação constante por uma personagem que não é boa pessoa, que é desagradável e impulsivo. Sandler incorpora a dor, a raiva e o humor da personagem na perfeição, e demonstra que tem um enorme potencial como ator, algo que todos havíamos certamente esquecido com as suas interpretações mais recentes. A personagem de Howard é realmente um homem no limite, alguém enérgico, cuja mente nunca para de planear a próxima aventura, e cujos olhos transparecem toda a ganância que em si vive.

 

Em conclusão, este filme é uma incrível viagem até à mente de um homem transtornado, uma viagem enérgica e que não larga a tensão por um segundo. Se gostam de filmes com um espírito à Scorsese, esta é a escolha ideal para passar um bom serão, é dramático, violento e completamente incrível.

 

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8/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

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