Bombshell – Crítica

 

Bombshell – O escândalo relata a história verdadeira do terror e assédio vivido por várias mulheres no canal FOX NEWS, a história de como a verdade foi lentamente procurando a luz do dia, de como um conjunto de mulheres se juntaram e tentaram derrubar um dos maiores nomes associados com a marca FOX.

 

Antes da explosão do movimento #metoo, o primeiro sinal de uma mudança de paradigma em Hollywood começou com a queda do titã da tv Roger Ailes. O filme, do realizador Jay Roach, segue os últimos dias de Ailes como CEO da FOX NEWS, antes de Gretchen Carlson o ter processado e de Megyn Kelly ter, ele própria, relatado os assédios de que foi vítima.

 

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O filme é pesado, especialmente dado o tipo de material com que lida, e mantém uma atmosfera tensa de início ao fim, aumentando a fasquia a cada momento que passa. Há um enorme cuidado na construção da tensão, cada cena vai lentamente contribuindo para um desagradável sentimento na audiência. A verdade é que é triste entender que este tipo de comportamento deplorável é real, é horrífico saber que determinados homens com demasiado poder tentam aproveitar-se do mesmo para usar pessoas (no caso deste filme, e da realidade, o poder é usado especificamente para assediar e molestar mulheres).

 

Há uma cena, em específico, que retrata o assédio vivido por várias mulheres (nesta cena é utilizada uma personagem que foi criada especificamente para incorporar todas as mulheres que sofreram estes horrores), uma cena tão desconfortavelmente real que deixará qualquer um a sentir-se sujo. É realmente impressionante como o filme retrata toda esta tensão, toda este horror e todo este sentimento desconfortável de uma forma tão realista e assustadora.

 

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As interpretações são também elas realmente incríveis, Charlize Theron é esplêndida como Megyn Kelly, numa performance que é tão real que quase nos esquecemos de quem a interpreta. Margot Robbie e Nicole Kidman também elas dão o seu tudo no filme, e este trio realmente eleva este filme a um patamar de cinema superior.

 

Embora não um filme perfeito (o filme tenta imitar o estilo do “The Big Short”), com alguns assuntos que poderiam ter sido ainda mais desenvolvidos, penso que é de obrigatória visualização, pois é essencial entender que ainda acontecem este tipo de horrores contra mulheres. É realmente impressionante o realismo vivido com este filme, a forma como dramatiza um evento real e consegue ainda assim transmitir o desconforto e terror da situação. Recomendo vivamente que o vejam.

 

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8/10 – Escrito e Avaliado por Fábio Fonseca

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